Simples Nacional ou Regime Normal: Qual Vale Mais Para o Restaurante na Reforma Tributária

Com a reforma, o restaurante escolhe entre três caminhos: Simples Nacional puro (até R$ 4,8M, DAS único, sem crédito), Simples Híbrido (mantém DAS para tributos antigos, mas recolhe IBS/CBS no normal e dá crédito de insumos) e Lucro Presumido. Restaurante 100% B2C com pouco insumo tributado segue bem no Simples puro. Quem tem cliente PJ ou alto volume de compra com nota tende a ganhar margem no Simples Híbrido.
Cena que vai aparecer em alguns restaurantes nos próximos meses: fim do ano, o concorrente da esquina ganha três contratos corporativos que costumavam vir pra você. O motivo não foi cardápio, foi nota fiscal. O vizinho aderiu ao Simples Híbrido e gera crédito de IBS/CBS pro RH da empresa contratante. Você ainda está no Simples puro. Em algumas operações, escolher certo o regime vale mais que mexer no cardápio.
Por uma década, o Simples foi a escolha óbvia para quase todo restaurante. Carga unificada, DAS único, contador tranquilo. Esse retrato continua válido para muita casa. Mas a chegada do Simples Híbrido e o redesenho do regime normal de IBS/CBS abriram cenários em que continuar no Simples sem adaptação (ou sair dele) deixa dinheiro na mesa. O texto abaixo é o comparativo prático para o dono decidir junto com o contador.
Os três regimes que importam em 2026
Antes da reforma, era basicamente Simples, Lucro Presumido ou Lucro Real. Com a LC 214/2025 surgiu uma quarta opção que mistura características, o Simples Híbrido:
Simples Nacional puro
- DAS único mensal
- Alíquota progressiva 6% a 33%
- IBS/CBS dentro do DAS
- Cliente PJ não se credita
- Obrigação acessória mínima
Simples Híbrido
- DAS para IRPJ, CSLL, ICMS, ISS
- IBS/CBS pelo regime normal
- Cliente PJ se credita
- Crédito amplo de insumos
- Apuração mais complexa (precisa sistema)
Lucro Presumido
- IRPJ e CSLL sobre lucro presumido (8%)
- IBS/CBS pelo regime normal
- Crédito amplo de IBS/CBS
- Cliente PJ se credita
- Recomendado para médios e grandes
Lucro Real
- IRPJ e CSLL sobre lucro real apurado
- IBS/CBS regime normal
- Crédito amplo
- Apuração mais sofisticada
- Faz sentido em redes grandes ou margem baixa
Simulação prática: restaurante de R$ 200 mil/mês
Para tornar a decisão concreta, vamos simular um restaurante hipotético:
- Faturamento: R$ 200.000/mês (R$ 2,4 mi/ano, dentro do teto do Simples)
- Mix: 70% salão, 20% delivery, 10% bebida
- Compras com nota: R$ 80.000/mês (40%, insumos para crédito)
- Cenário: alíquotas cheias (a partir de 2033)
📊 Cenário 1: Simples Nacional puro (Anexo III)
Faturamento R$ 200.000 → Alíquota efetiva ~14% (faixa de R$ 1,8 mi a R$ 3,6 mi)
DAS único: R$ 28.000
Cliente PJ não se credita. Carga simples e previsível.
📊 Cenário 2: Simples Híbrido
Simples (IRPJ + CSLL + ICMS + ISS), efetiva ~6,5% sobre R$ 200.000 = R$ 13.000
IBS+CBS regime normal sobre R$ 200.000:
- Salão (R$ 140k): efetiva ~10,6% = R$ 14.840
- Delivery (R$ 40k): efetiva ~10,6% (premissa) = R$ 4.240
- Bebida (R$ 20k): efetiva ~26,5% (sem redução) = R$ 5.300
- IBS+CBS bruto: R$ 24.380
Crédito de insumos (R$ 80k a 10,6%): − R$ 8.480
IBS+CBS líquido: R$ 15.900
📊 Cenário 3: Lucro Presumido
IRPJ (8% × 15%) + CSLL (12% × 9%) sobre R$ 200.000 = R$ 4.560
IBS+CBS bruto (mesma conta): R$ 24.380
Crédito de insumos: − R$ 8.480
IBS+CBS líquido: R$ 15.900
Sem ICMS/ISS na transição final. Cliente PJ se credita.
🎯 Leitura da simulação
No cenário acima, o Lucro Presumido bate o Simples puro em ~R$ 7.500/mês (R$ 90 mil/ano). Mas a simulação considera crédito amplo de IBS/CBS, que só funciona com ficha técnica e nota fiscal. Sem isso, o Lucro Presumido vira o pior cenário.
O Simples Híbrido fica próximo do Simples puro em carga total, mas vence quando o cliente PJ representa 30%+ da receita, porque o crédito que você gera vira preço competitivo na próxima cotação.
Quando o Simples puro segue sendo a melhor escolha
Apesar do hype em torno do Simples Híbrido, o Simples puro continua a melhor escolha para a maioria dos restaurantes brasileiros. Os perfis típicos:
Lanchonete de bairro 100% PF
Cliente final paga e leva. Não há quem peça crédito. Mudar de regime só adiciona complexidade sem retorno.
Bar de balcão tradicional
Cardápio enxuto, cliente recorrente PF. Carga do Simples Anexo III fica próxima da carga do regime normal com redução de 60%, sem o overhead contábil.
Pizzaria delivery via app
Cliente PF via marketplace. Margem fina, fluxo alto, complexidade já vem do app. Adicionar Simples Híbrido vira fonte de erro.
Restaurante por quilo
Cliente PF, ticket médio R$ 35, alta rotação. Simples Anexo III atende bem.
Cafeteria, padaria, casa de chá
Cliente PF predominante, ticket baixo, mix variado. Simples puro atende.
Quando considerar Simples Híbrido ou regime normal
Os sinais de que o Simples puro está deixando dinheiro na mesa:
Cliente PJ representa 25%+ da receita
Restaurante que vende almoço corporativo, marmita para empresa, evento empresarial, coffee break. O cliente PJ quer e precisa do crédito. No Simples puro, a nota não dá crédito, e você perde competitividade na cotação.
Faturamento se aproxima do teto
Acima de R$ 3,6 milhões/ano, a alíquota do Simples Anexo III começa a pesar (passa de 19%). Quando isso encontra a possibilidade de creditar IBS/CBS pago em insumos, o regime normal fica competitivo.
Compras predominantemente com nota
Restaurante que compra de distribuidor, frigorífico, atacado e hortifruti formal: cada nota vira crédito no regime normal. Quem compra mercadinho e feira sem nota perde o argumento.
Eventos, catering, buffet
Operação B2B por natureza. Cliente PJ é regra, não exceção. Para buffet pequeno que pleiteia contrato corporativo, o Simples Híbrido costuma destravar negociação justamente pelo crédito gerado na nota.
Rede com várias unidades
Faturamento agregado pode ultrapassar o teto. Estrutura corporativa pode aproveitar crédito de matriz/filial. Lucro Presumido com PDV unificado vira solução natural.
Quer levar dado limpo para o contador na próxima reunião?
O SISFOOD entrega receita por origem (salão, delivery, marketplace, cliente PJ) e relatórios de venda com nota fiscal. Material para o contador simular Simples puro, Híbrido e Lucro Presumido sem cruzar planilha à mão. Tudo dentro do PDV.
Quero conhecer o SISFOOD →Regime ideal por perfil de restaurante
| Perfil | Faturamento típico | Regime recomendado |
|---|---|---|
| Lanchonete de bairro PF | até R$ 1,5 mi/ano | Simples puro |
| Bar tradicional / botequim | até R$ 2,5 mi/ano | Simples puro |
| Pizzaria delivery iFood | até R$ 3 mi/ano | Simples puro |
| Restaurante por quilo | até R$ 3 mi/ano | Simples puro |
| Restaurante corporativo (PJ ≥ 25%) | R$ 1,5 a R$ 4,8 mi/ano | Simples Híbrido |
| Marmita corporativa B2B | qualquer | Simples Híbrido ou Lucro Presumido |
| Rede de fast food | R$ 5 mi+/ano agregado | Lucro Presumido |
| Alta gastronomia com PJ relevante | R$ 3 mi+/ano | Simples Híbrido ou Lucro Presumido |
| Catering / buffet de eventos | qualquer | Simples Híbrido ou Lucro Presumido |
| Cafeteria / padaria de bairro | até R$ 2 mi/ano | Simples puro |
| Cervejaria artesanal com tap room | R$ 1 a R$ 4,8 mi/ano | Simples Híbrido (por causa do IS) |
| Rede acima do teto | R$ 4,8 mi+/ano | Lucro Presumido (ou Real) |
Erros comuns na escolha do regime
Decidir só pela alíquota nominal
"Simples é 14%, regime normal é 26,5%, então Simples vence sempre." Errado. O regime normal tem crédito amplo de insumo (10,6% efetivo no salão com redução de 60%) e o cliente PJ se credita. A simulação real, com insumos com nota e perfil de cliente, muda a foto.
Não considerar o cliente PJ
Restaurante corporativo no Simples puro perde cotações para concorrente Simples Híbrido porque o cliente paga menos efetivo. Quem ignora isso vê a receita migrar sem entender o motivo.
Migrar sem ter ficha técnica
Lucro Presumido sem ficha técnica não credita IBS/CBS de forma consistente. A SEFAZ pode glosar o crédito em fiscalização. Sair do Simples sem sistema integrado vira armadilha.
Trocar de regime no meio do ano
A mudança tem janela específica (geralmente em janeiro). Trocar sem planejar gera apuração híbrida no ano fiscal e dor no contador.
Ignorar o Simples Híbrido
Para quem está confortável no teto do Simples mas vende muito para PJ, o Híbrido é o melhor dos mundos, e ainda é pouco conhecido. Quem entende e adota cedo ganha competitividade.
Como o SisFood apoia a decisão
A escolha de regime é decisão do dono com o contador. Mas o PDV é quem entrega os dados. O SISFOOD gera os relatórios que o contador pede para simular regime:
- Receita por origem: salão, delivery próprio, marketplace (iFood, Aiqfome, 99Food), cliente PJ
- Receita por tipo de cliente: PF e PJ separados
- Vendas com NF-e e NFC-e: filtros por período, status e tipo de documento
- Ficha técnica de produto: vínculo entre insumo cadastrado e item vendido
- Importação de NF-e por XML: nota de compra entra atrelada ao pedido
- Cadastro de regime tributário e cClassTrib do produto: definidos pelo cliente em conjunto com o contador, e usados nas notas seguintes
Com isso, a conversa com o contador sai de "vamos ver o que dá" para "tenho o dado dos três cenários, qual é a recomendação". Sem planilha paralela, sem cruzamento manual.
Perguntas frequentes
Alíquotas e cenários simulados são ilustrativos, baseados na regulamentação conhecida em 04/05/2026, e podem ser ajustados. A escolha de regime exige análise específica com contador, considerando CNAE, faturamento real, perfil de cliente e histórico de compras com nota. Última atualização: 04/05/2026.
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Decisão de regime começa com dado limpo. E dado limpo começa no PDV.
O SISFOOD entrega os relatórios certos para a conversa com o contador: receita por origem, receita por tipo de cliente, NF-e e NFC-e filtradas por período e ficha técnica de produto. Você decide com base em número, não em achismo. O cadastro fiscal de cada produto fica do seu lado, junto com o contador.
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