Simples Nacional ou Regime Normal: Qual Vale Mais Para o Restaurante na Reforma Tributária

📅 Atualizado em 04/05/2026 ⏱️ Leitura: 9 minutos 🏷️ Fiscal · Simples · Regime Normal
Simples Nacional vs Regime Normal no restaurante na reforma tributária

Com a reforma, o restaurante escolhe entre três caminhos: Simples Nacional puro (até R$ 4,8M, DAS único, sem crédito), Simples Híbrido (mantém DAS para tributos antigos, mas recolhe IBS/CBS no normal e dá crédito de insumos) e Lucro Presumido. Restaurante 100% B2C com pouco insumo tributado segue bem no Simples puro. Quem tem cliente PJ ou alto volume de compra com nota tende a ganhar margem no Simples Híbrido.

Cena que vai aparecer em alguns restaurantes nos próximos meses: fim do ano, o concorrente da esquina ganha três contratos corporativos que costumavam vir pra você. O motivo não foi cardápio, foi nota fiscal. O vizinho aderiu ao Simples Híbrido e gera crédito de IBS/CBS pro RH da empresa contratante. Você ainda está no Simples puro. Em algumas operações, escolher certo o regime vale mais que mexer no cardápio.

Por uma década, o Simples foi a escolha óbvia para quase todo restaurante. Carga unificada, DAS único, contador tranquilo. Esse retrato continua válido para muita casa. Mas a chegada do Simples Híbrido e o redesenho do regime normal de IBS/CBS abriram cenários em que continuar no Simples sem adaptação (ou sair dele) deixa dinheiro na mesa. O texto abaixo é o comparativo prático para o dono decidir junto com o contador.

Os três regimes que importam em 2026

Antes da reforma, era basicamente Simples, Lucro Presumido ou Lucro Real. Com a LC 214/2025 surgiu uma quarta opção que mistura características, o Simples Híbrido:

Simples Nacional puro

Até R$ 4,8 milhões/ano
  • DAS único mensal
  • Alíquota progressiva 6% a 33%
  • IBS/CBS dentro do DAS
  • Cliente PJ não se credita
  • Obrigação acessória mínima

Simples Híbrido

Até R$ 4,8 milhões/ano
  • DAS para IRPJ, CSLL, ICMS, ISS
  • IBS/CBS pelo regime normal
  • Cliente PJ se credita
  • Crédito amplo de insumos
  • Apuração mais complexa (precisa sistema)

Lucro Presumido

Até R$ 78 milhões/ano
  • IRPJ e CSLL sobre lucro presumido (8%)
  • IBS/CBS pelo regime normal
  • Crédito amplo de IBS/CBS
  • Cliente PJ se credita
  • Recomendado para médios e grandes

Lucro Real

Acima de R$ 78 milhões ou opcional
  • IRPJ e CSLL sobre lucro real apurado
  • IBS/CBS regime normal
  • Crédito amplo
  • Apuração mais sofisticada
  • Faz sentido em redes grandes ou margem baixa

Simulação prática: restaurante de R$ 200 mil/mês

Para tornar a decisão concreta, vamos simular um restaurante hipotético:

📊 Cenário 1: Simples Nacional puro (Anexo III)

Faturamento R$ 200.000 → Alíquota efetiva ~14% (faixa de R$ 1,8 mi a R$ 3,6 mi)

DAS único: R$ 28.000

Cliente PJ não se credita. Carga simples e previsível.

Carga total: R$ 28.000 (14,0%)

📊 Cenário 2: Simples Híbrido

Simples (IRPJ + CSLL + ICMS + ISS), efetiva ~6,5% sobre R$ 200.000 = R$ 13.000

IBS+CBS regime normal sobre R$ 200.000:

Crédito de insumos (R$ 80k a 10,6%): − R$ 8.480

IBS+CBS líquido: R$ 15.900

Carga total: R$ 28.900 (14,5%), com cliente PJ se creditando

📊 Cenário 3: Lucro Presumido

IRPJ (8% × 15%) + CSLL (12% × 9%) sobre R$ 200.000 = R$ 4.560

IBS+CBS bruto (mesma conta): R$ 24.380

Crédito de insumos: − R$ 8.480

IBS+CBS líquido: R$ 15.900

Sem ICMS/ISS na transição final. Cliente PJ se credita.

Carga total: R$ 20.460 (10,2%)

🎯 Leitura da simulação

No cenário acima, o Lucro Presumido bate o Simples puro em ~R$ 7.500/mês (R$ 90 mil/ano). Mas a simulação considera crédito amplo de IBS/CBS, que só funciona com ficha técnica e nota fiscal. Sem isso, o Lucro Presumido vira o pior cenário.

O Simples Híbrido fica próximo do Simples puro em carga total, mas vence quando o cliente PJ representa 30%+ da receita, porque o crédito que você gera vira preço competitivo na próxima cotação.

⚠️ Os números são ilustrativos. A alíquota efetiva real depende do Anexo aplicável e da faixa. As alíquotas de IBS/CBS para alimentação ainda estão em regulamentação. Use isso como base para simular com seu contador, com seus números. Não copie e aplique direto.

Quando o Simples puro segue sendo a melhor escolha

Apesar do hype em torno do Simples Híbrido, o Simples puro continua a melhor escolha para a maioria dos restaurantes brasileiros. Os perfis típicos:

Lanchonete de bairro 100% PF

Cliente final paga e leva. Não há quem peça crédito. Mudar de regime só adiciona complexidade sem retorno.

Bar de balcão tradicional

Cardápio enxuto, cliente recorrente PF. Carga do Simples Anexo III fica próxima da carga do regime normal com redução de 60%, sem o overhead contábil.

Pizzaria delivery via app

Cliente PF via marketplace. Margem fina, fluxo alto, complexidade já vem do app. Adicionar Simples Híbrido vira fonte de erro.

Restaurante por quilo

Cliente PF, ticket médio R$ 35, alta rotação. Simples Anexo III atende bem.

Cafeteria, padaria, casa de chá

Cliente PF predominante, ticket baixo, mix variado. Simples puro atende.

Quando considerar Simples Híbrido ou regime normal

Os sinais de que o Simples puro está deixando dinheiro na mesa:

Cliente PJ representa 25%+ da receita

Restaurante que vende almoço corporativo, marmita para empresa, evento empresarial, coffee break. O cliente PJ quer e precisa do crédito. No Simples puro, a nota não dá crédito, e você perde competitividade na cotação.

Faturamento se aproxima do teto

Acima de R$ 3,6 milhões/ano, a alíquota do Simples Anexo III começa a pesar (passa de 19%). Quando isso encontra a possibilidade de creditar IBS/CBS pago em insumos, o regime normal fica competitivo.

Compras predominantemente com nota

Restaurante que compra de distribuidor, frigorífico, atacado e hortifruti formal: cada nota vira crédito no regime normal. Quem compra mercadinho e feira sem nota perde o argumento.

Eventos, catering, buffet

Operação B2B por natureza. Cliente PJ é regra, não exceção. Para buffet pequeno que pleiteia contrato corporativo, o Simples Híbrido costuma destravar negociação justamente pelo crédito gerado na nota.

Rede com várias unidades

Faturamento agregado pode ultrapassar o teto. Estrutura corporativa pode aproveitar crédito de matriz/filial. Lucro Presumido com PDV unificado vira solução natural.

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O SISFOOD entrega receita por origem (salão, delivery, marketplace, cliente PJ) e relatórios de venda com nota fiscal. Material para o contador simular Simples puro, Híbrido e Lucro Presumido sem cruzar planilha à mão. Tudo dentro do PDV.

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Regime ideal por perfil de restaurante

PerfilFaturamento típicoRegime recomendado
Lanchonete de bairro PFaté R$ 1,5 mi/anoSimples puro
Bar tradicional / botequimaté R$ 2,5 mi/anoSimples puro
Pizzaria delivery iFoodaté R$ 3 mi/anoSimples puro
Restaurante por quiloaté R$ 3 mi/anoSimples puro
Restaurante corporativo (PJ ≥ 25%)R$ 1,5 a R$ 4,8 mi/anoSimples Híbrido
Marmita corporativa B2BqualquerSimples Híbrido ou Lucro Presumido
Rede de fast foodR$ 5 mi+/ano agregadoLucro Presumido
Alta gastronomia com PJ relevanteR$ 3 mi+/anoSimples Híbrido ou Lucro Presumido
Catering / buffet de eventosqualquerSimples Híbrido ou Lucro Presumido
Cafeteria / padaria de bairroaté R$ 2 mi/anoSimples puro
Cervejaria artesanal com tap roomR$ 1 a R$ 4,8 mi/anoSimples Híbrido (por causa do IS)
Rede acima do tetoR$ 4,8 mi+/anoLucro Presumido (ou Real)

Erros comuns na escolha do regime

Decidir só pela alíquota nominal

"Simples é 14%, regime normal é 26,5%, então Simples vence sempre." Errado. O regime normal tem crédito amplo de insumo (10,6% efetivo no salão com redução de 60%) e o cliente PJ se credita. A simulação real, com insumos com nota e perfil de cliente, muda a foto.

Não considerar o cliente PJ

Restaurante corporativo no Simples puro perde cotações para concorrente Simples Híbrido porque o cliente paga menos efetivo. Quem ignora isso vê a receita migrar sem entender o motivo.

Migrar sem ter ficha técnica

Lucro Presumido sem ficha técnica não credita IBS/CBS de forma consistente. A SEFAZ pode glosar o crédito em fiscalização. Sair do Simples sem sistema integrado vira armadilha.

Trocar de regime no meio do ano

A mudança tem janela específica (geralmente em janeiro). Trocar sem planejar gera apuração híbrida no ano fiscal e dor no contador.

Ignorar o Simples Híbrido

Para quem está confortável no teto do Simples mas vende muito para PJ, o Híbrido é o melhor dos mundos, e ainda é pouco conhecido. Quem entende e adota cedo ganha competitividade.

Como o SisFood apoia a decisão

A escolha de regime é decisão do dono com o contador. Mas o PDV é quem entrega os dados. O SISFOOD gera os relatórios que o contador pede para simular regime:

Com isso, a conversa com o contador sai de "vamos ver o que dá" para "tenho o dado dos três cenários, qual é a recomendação". Sem planilha paralela, sem cruzamento manual.

Perguntas frequentes

O Simples Nacional acaba com a reforma?
Não. Continua existindo. A novidade é o Simples Híbrido: pagar IBS e CBS por fora para gerar crédito ao cliente PJ. A escolha depende do perfil de cliente.
Quando vale sair do Simples?
Quando o faturamento ultrapassa R$ 4,8 mi, quando a maior parte das vendas é para PJ que pede crédito, ou quando há grande volume de compras com nota. Para lanchonete de bairro e delivery PF, o Simples puro normalmente segue melhor.
Restaurante no Simples paga IBS e CBS?
No Simples puro, recolhe dentro do DAS, sem pagar separado. No Simples Híbrido, recolhe IBS/CBS por fora para gerar crédito ao cliente PJ.
Quanto restaurante paga no Simples em 2026?
Está no Anexo III ou Anexo I, com alíquotas de 6% a 33% sobre o faturamento. Em 2026, a efetiva não muda; a NFC-e que ganha campos novos.
Lucro Presumido vale a pena depois da reforma?
Para acima do teto do Simples ou com forte venda corporativa, sim. O regime normal de IBS/CBS permite crédito amplo. Simulação com contador é obrigatória.
⚠️ Consulta orientativa
Alíquotas e cenários simulados são ilustrativos, baseados na regulamentação conhecida em 04/05/2026, e podem ser ajustados. A escolha de regime exige análise específica com contador, considerando CNAE, faturamento real, perfil de cliente e histórico de compras com nota. Última atualização: 04/05/2026.

Aprofunde-se nos temas do cluster

Decisão de regime começa com dado limpo. E dado limpo começa no PDV.

O SISFOOD entrega os relatórios certos para a conversa com o contador: receita por origem, receita por tipo de cliente, NF-e e NFC-e filtradas por período e ficha técnica de produto. Você decide com base em número, não em achismo. O cadastro fiscal de cada produto fica do seu lado, junto com o contador.

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