IBS e CBS no Restaurante: Alíquotas, Crédito e NFC-e

📅 Atualizado em 04/05/2026 ⏱️ Leitura: 8 minutos 🏷️ Fiscal · IBS · CBS · NFC-e
IBS e CBS no restaurante: alíquotas, crédito tributário e NFC-e

O IBS (estadual e municipal) e a CBS (federal) formam o IVA dual criado pela LC 214/2025. Substituem ICMS, ISS, PIS, COFINS e IPI. Em 2026 funcionam em teste: CBS 0,9% + IBS 0,1%. Alíquota cheia estimada na casa dos 26%, com redução de 60% para alimentação. Fora do Simples, o restaurante se credita do IBS/CBS pago em insumos, e essa diferença muda a equação do regime tributário.

Toda NFC-e emitida em 2026 já sai com CBS e IBS cravados no XML. Em modo teste, sem mudar o caixa. Mas estão lá, validados pela SEFAZ. Em poucos anos, é o que vai pesar na apuração.

Esse texto entra na leitura técnica que costuma faltar: quanto custam os dois tributos hoje e na alíquota cheia, como aparecem na nota e (talvez o ponto mais confuso) como o restaurante se credita do imposto pago em insumo. É aí que mora o ganho real para quem opera fora do Simples.

O que são IBS e CBS no IVA dual brasileiro?

Antes da reforma, eram cinco tributos sobre faturamento, cada um com regra e base própria. A LC 214/2025 unificou esse cipoal num IVA dual:

CBS

Substitui PIS + COFINS + IPI

Tributo federal, gerido pela Receita Federal. Não cumulativo, com crédito amplo. Em 2026: 0,9%. Cheia estimada: na casa de 8,8%.

IBS

Substitui ICMS + ISS

Tributo estadual + municipal, gerido pelo Comitê Gestor. Também não cumulativo. Em 2026: 0,1%. Cheia estimada: na casa de 17,7%.

Na prática, os dois operam como um IVA único: mesma base, mesma sistemática de crédito, mesmo cClassTrib. A separação é federativa. Para o caixa do restaurante, o que importa é a soma.

Quais são as alíquotas em 2026 e nos próximos anos?

Vigente agora (2026)
CBS 0,9% + IBS 0,1% = 1,0%

Compensável contra PIS/COFINS, efeito zero no caixa. Mas o PDV é obrigado a enviar.

Alíquota cheia estimada

A cheia foi calibrada para manter a carga total do país. Estimativas:

TributoAlíquota nominal cheiaEfetiva no salão (com redução de 60%)
CBS (federal)~8,8%~3,5%
IBS (estadual+municipal)~17,7%~7,1%
Total IVA dual~26,5%~10,6%

A diferença entre o nominal e o efetivo vem da redução de 60% prevista no Anexo I da LC 214/2025 para alimentação fora do lar, válida para refeição preparada e servida em bar, restaurante, lanchonete, pizzaria, padaria, casa de chá e similares.

⚠️ A redução não vale para tudo: ela cobre refeição servida no estabelecimento. Produto industrializado revendido (água em garrafa, biscoito embalado, chocolate de balcão) tende a cair na alíquota cheia. Para delivery, ainda há discussão. Por isso o cadastro precisa separar refeição preparada de produto revendido.

Como funciona o crédito de IBS e CBS pago no insumo?

É o ponto que mais muda a operação financeira do restaurante a partir de 2027 e que pouca gente assimilou. IBS e CBS são não cumulativos: do imposto a pagar, desconta-se o imposto pago na compra do insumo.

Um exemplo prático, restaurante no regime normal:

ENTRADA (NF do frigorífico):
R$ 10.000,00 de carne
+ R$ 1.060,00 de IBS/CBS na nota
→ Restaurante CRÉDITA R$ 1.060,00

SAÍDA (NFC-e do almoço servido):
R$ 25.000,00 de venda
→ IBS/CBS devido = R$ 2.650,00

APURAÇÃO DO MÊS:
R$ 2.650,00 − R$ 1.060,00 = R$ 1.590,00 a pagar

Quanto mais o restaurante comprar com nota e ficha técnica organizada, menos imposto paga no fim do mês. A velha lógica de "comprar sem nota para economizar" sai de cena: agora a nota reduz o imposto, não aumenta.

O que entra no crédito

O que NÃO gera crédito

💡 Onde o sistema entra: o crédito depende de ficha técnica ligando insumo ao prato vendido. O SISFOOD tem ficha técnica por item e importação de NF-e por XML, então a nota de compra entra atrelada ao pedido. O cliente faz a apuração com o contador, com base nesses dados, em vez de cruzar planilha à mão.

Como IBS e CBS aparecem na NFC-e?

A NFC-e ganhou novos grupos obrigatórios em janeiro. Para cada item, o XML carrega cClassTrib, grupo IBS, grupo CBS, indicador de regime e indicador de redução. No caixa, isso fica invisível para o atendente: ele bipa o produto e a nota sai.

O risco aparece quando o cadastro do produto está errado (cClassTrib, NCM ou regime divergentes do esperado pela SEFAZ). Resultado: nota rejeitada, caixa parado. Esse tipo de travamento é mais frequente em rede que ainda usa ERP genérico, não preparado para a NFC-e da reforma.

Erros que mais aparecem

Os códigos por tipo de operação estão detalhados em: cClassTrib no restaurante.

Sua NFC-e de hoje está enviando IBS, CBS e cClassTrib?

O SISFOOD já emite NFC-e com os campos novos da reforma. Os dados fiscais ficam no cadastro de cada produto, então no caixa o atendente só bipa e a nota sai. Vale conferir junto com o contador se o NCM e o cClassTrib de cada produto estão coerentes com o seu regime.

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Imposto antigo × IBS/CBS na prática

ItemSistema antigoIBS + CBS
Quantidade de tributos52
CumulatividadeMistaNão cumulativo, crédito amplo
Base de cálculoVariável por tributoÚnica
Crédito de insumoRestritoAmplo
Alíquota interestadualSim (varia por origem-destino)Não, alíquota no destino
Carga efetiva no salão~8 a 12% (varia por estado)~10,6% (com redução de 60%)
RecolhimentoMúltiplas guiasGuia única, IBS centralizado

Para o restaurante de porte médio ou grande, o IVA dual reduz a carga efetiva em alguns pontos, desde que o crédito seja bem aproveitado. No Simples puro, o efeito tende a ser neutro: a tributação continua via DAS.

Como IBS e CBS afetam perfis diferentes

Restaurante por quilo no centro comercial

Operação 100% no salão, cliente PF, ticket médio R$ 35. Alíquota efetiva próxima da carga atual do Simples. Decisão: Simples puro segue valendo, basta o PDV estar atualizado.

Restaurante corporativo

Mistura salão e nota mensal para empresa contratante. Cliente PJ quer o crédito de CBS/IBS. Decisão: avaliar Simples Híbrido ou Lucro Presumido. No Simples puro, a empresa contratante não se credita, e você perde competitividade na próxima cotação.

Pizzaria com 70% de delivery via iFood

Margem fina, cliente PF, ticket entre R$ 50 e R$ 90. Tendência é delivery cair em alíquota intermediária ou cheia. Decisão: séries fiscais separadas, manter Simples (cliente PF), revisar precificação no app para cobrir possível alíquota maior.

Bar com forte revenda de bebida

Cerveja e destilado representam 60% do faturamento. IS entra em 2027 e encarece a compra. Decisão: revisar fornecedor (preferir industrial direto que dá crédito mais limpo), revisar mix de cerveja, sair do Simples se o teto for ultrapassado pelo aumento de preço.

Erros mais comuns no tratamento de IBS e CBS

"No Simples não preciso me preocupar"

Engano comum. Mesmo no Simples, a NFC-e de 2026 envia cClassTrib e os campos de IBS/CBS, e restaurante do Simples com PDV desatualizado leva o mesmo tipo de rejeição que aparece no Lucro Presumido.

Cadastrar refeição preparada como "produto"

Cadastrar o filé à parmegiana como industrializado revendido faz o sistema aplicar cClassTrib de alíquota cheia, perdendo a redução. Em alíquota cheia, esse erro custa 16 pontos a mais de imposto.

Não rastrear ficha técnica

Sem ficha, não há vínculo formal entre carne (entrada) e refeição (saída). A SEFAZ glosa o crédito em fiscalização. Sistema com módulo de ficha técnica resolve.

Misturar série fiscal de salão e delivery

Trabalho extra para o contador hoje, retrabalho garantido amanhã se a redução de 60% for confirmada com tratamento distinto para entrega.

Comprar sem nota

Cada nota vira crédito. Fornecedor que não dá nota custa mais do que parece: você ainda perde o crédito que deixou de aproveitar.

Perguntas frequentes

O que é IBS e CBS?
IBS é o Imposto sobre Bens e Serviços (estadual e municipal) que substitui ICMS e ISS. CBS é a Contribuição sobre Bens e Serviços (federal) que substitui PIS, COFINS e IPI. Os dois compõem o IVA dual brasileiro.
Quanto é a alíquota em 2026?
CBS em 0,9% e IBS em 0,1%, com compensação contra PIS/COFINS, efeito zero no caixa. As cheias estimadas estão na casa de 8,8% e 17,7%, com redução de 60% para refeições no salão.
O que é a redução de 60% para alimentação?
Refeições servidas no estabelecimento (bar, restaurante, lanchonete, pizzaria) têm redução de 60% sobre as alíquotas padrão. Em alíquota cheia, a carga efetiva fica perto de 10,6%.
Restaurante pode se creditar do IBS e CBS pago em insumos?
Sim, fora do Simples. O restaurante desconta do imposto a recolher o que pagou em carne, queijo, embalagens, gás, energia e software. É obrigatório ter nota fiscal e ficha técnica.
Como aparece IBS e CBS na NFC-e?
Cada item leva cClassTrib, alíquota IBS, alíquota CBS, base de cálculo, valor e indicador de regime. O PDV preenche esses campos a partir do cadastro do produto, que o cliente acerta com o contador.
Restaurante do Simples precisa enviar IBS e CBS?
Sim. Mesmo no Simples, a NFC-e em 2026 carrega cClassTrib e os campos de IBS/CBS, embora os valores fiquem zerados na apuração final, porque o Simples mantém recolhimento pelo DAS.
IBS e CBS valem para delivery e iFood?
Sim. A questão pendente é se o delivery mantém a redução de 60% ou cai na alíquota cheia. Por isso o PDV precisa separar a série fiscal do salão da do delivery.
O que acontece com o ICMS e o ISS?
São extintos progressivamente até 2033. A partir de 2029, caem 10% ao ano e o IBS sobe na mesma proporção. Em 2033, restaurante paga só CBS, IBS e Imposto Seletivo (em bebidas).
⚠️ Consulta orientativa
Alíquotas cheias estimadas (CBS 8,8% e IBS 17,7%) são projeções com base em estudos do Ministério da Fazenda e podem variar conforme regulamentação do Comitê Gestor do IBS. A redução de 60% para alimentação consta da LC 214/2025, mas o detalhamento por CNAE e operação pode ser ajustado. Confirme com seu contador. Última atualização: 04/05/2026.

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O crédito de IBS e CBS começa no cadastro do produto

Restaurante que credita bem ganha alguns pontos de margem. Mas só acontece com ficha técnica, NF de fornecedor e sistema integrado. O SISFOOD tem ficha técnica por item, importação de NF-e por XML e cadastro fiscal por produto, com os dados que o contador precisa para fechar a apuração.

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