IBS e CBS no Restaurante: Alíquotas, Crédito e NFC-e

O IBS (estadual e municipal) e a CBS (federal) formam o IVA dual criado pela LC 214/2025. Substituem ICMS, ISS, PIS, COFINS e IPI. Em 2026 funcionam em teste: CBS 0,9% + IBS 0,1%. Alíquota cheia estimada na casa dos 26%, com redução de 60% para alimentação. Fora do Simples, o restaurante se credita do IBS/CBS pago em insumos, e essa diferença muda a equação do regime tributário.
Toda NFC-e emitida em 2026 já sai com CBS e IBS cravados no XML. Em modo teste, sem mudar o caixa. Mas estão lá, validados pela SEFAZ. Em poucos anos, é o que vai pesar na apuração.
Esse texto entra na leitura técnica que costuma faltar: quanto custam os dois tributos hoje e na alíquota cheia, como aparecem na nota e (talvez o ponto mais confuso) como o restaurante se credita do imposto pago em insumo. É aí que mora o ganho real para quem opera fora do Simples.
O que são IBS e CBS no IVA dual brasileiro?
Antes da reforma, eram cinco tributos sobre faturamento, cada um com regra e base própria. A LC 214/2025 unificou esse cipoal num IVA dual:
CBS
Tributo federal, gerido pela Receita Federal. Não cumulativo, com crédito amplo. Em 2026: 0,9%. Cheia estimada: na casa de 8,8%.
IBS
Tributo estadual + municipal, gerido pelo Comitê Gestor. Também não cumulativo. Em 2026: 0,1%. Cheia estimada: na casa de 17,7%.
Na prática, os dois operam como um IVA único: mesma base, mesma sistemática de crédito, mesmo cClassTrib. A separação é federativa. Para o caixa do restaurante, o que importa é a soma.
Quais são as alíquotas em 2026 e nos próximos anos?
Compensável contra PIS/COFINS, efeito zero no caixa. Mas o PDV é obrigado a enviar.
Alíquota cheia estimada
A cheia foi calibrada para manter a carga total do país. Estimativas:
| Tributo | Alíquota nominal cheia | Efetiva no salão (com redução de 60%) |
|---|---|---|
| CBS (federal) | ~8,8% | ~3,5% |
| IBS (estadual+municipal) | ~17,7% | ~7,1% |
| Total IVA dual | ~26,5% | ~10,6% |
A diferença entre o nominal e o efetivo vem da redução de 60% prevista no Anexo I da LC 214/2025 para alimentação fora do lar, válida para refeição preparada e servida em bar, restaurante, lanchonete, pizzaria, padaria, casa de chá e similares.
Como funciona o crédito de IBS e CBS pago no insumo?
É o ponto que mais muda a operação financeira do restaurante a partir de 2027 e que pouca gente assimilou. IBS e CBS são não cumulativos: do imposto a pagar, desconta-se o imposto pago na compra do insumo.
Um exemplo prático, restaurante no regime normal:
R$ 10.000,00 de carne
+ R$ 1.060,00 de IBS/CBS na nota
→ Restaurante CRÉDITA R$ 1.060,00
SAÍDA (NFC-e do almoço servido):
R$ 25.000,00 de venda
→ IBS/CBS devido = R$ 2.650,00
APURAÇÃO DO MÊS:
R$ 2.650,00 − R$ 1.060,00 = R$ 1.590,00 a pagar
Quanto mais o restaurante comprar com nota e ficha técnica organizada, menos imposto paga no fim do mês. A velha lógica de "comprar sem nota para economizar" sai de cena: agora a nota reduz o imposto, não aumenta.
O que entra no crédito
- Carne, frango, peixe, queijo, frios comprados com nota
- Hortifruti com nota de produtor ou CEASA
- Bebidas (com observação para Imposto Seletivo)
- Embalagens: caixa de pizza, marmita, sacola, copo
- Gás, energia, água, internet
- Software de gestão (sim, o SISFOOD gera crédito também)
- Equipamento de cozinha: crédito ao longo do tempo
- Manutenção de PDV, aluguel comercial (com regras específicas)
O que NÃO gera crédito
- Compras sem nota (mercado, feira, fornecedor informal)
- Despesas pessoais do dono
- Brindes sem ligação com a operação
- Multa, juros e despesas financeiras
Como IBS e CBS aparecem na NFC-e?
A NFC-e ganhou novos grupos obrigatórios em janeiro. Para cada item, o XML carrega cClassTrib, grupo IBS, grupo CBS, indicador de regime e indicador de redução. No caixa, isso fica invisível para o atendente: ele bipa o produto e a nota sai.
O risco aparece quando o cadastro do produto está errado (cClassTrib, NCM ou regime divergentes do esperado pela SEFAZ). Resultado: nota rejeitada, caixa parado. Esse tipo de travamento é mais frequente em rede que ainda usa ERP genérico, não preparado para a NFC-e da reforma.
Erros que mais aparecem
- cClassTrib não enviado: rejeição automática
- cClassTrib errado para o NCM: rejeição ou pagamento a maior
- Refeição cadastrada como produto revendido: perde a redução
- Bebida alcoólica como refeição: vai dar problema com IS em 2027
- Delivery cadastrado igualzinho ao salão: apuração híbrida bagunçada
Os códigos por tipo de operação estão detalhados em: cClassTrib no restaurante.
Sua NFC-e de hoje está enviando IBS, CBS e cClassTrib?
O SISFOOD já emite NFC-e com os campos novos da reforma. Os dados fiscais ficam no cadastro de cada produto, então no caixa o atendente só bipa e a nota sai. Vale conferir junto com o contador se o NCM e o cClassTrib de cada produto estão coerentes com o seu regime.
Quero conhecer o SISFOOD →Imposto antigo × IBS/CBS na prática
| Item | Sistema antigo | IBS + CBS |
|---|---|---|
| Quantidade de tributos | 5 | 2 |
| Cumulatividade | Mista | Não cumulativo, crédito amplo |
| Base de cálculo | Variável por tributo | Única |
| Crédito de insumo | Restrito | Amplo |
| Alíquota interestadual | Sim (varia por origem-destino) | Não, alíquota no destino |
| Carga efetiva no salão | ~8 a 12% (varia por estado) | ~10,6% (com redução de 60%) |
| Recolhimento | Múltiplas guias | Guia única, IBS centralizado |
Para o restaurante de porte médio ou grande, o IVA dual reduz a carga efetiva em alguns pontos, desde que o crédito seja bem aproveitado. No Simples puro, o efeito tende a ser neutro: a tributação continua via DAS.
Como IBS e CBS afetam perfis diferentes
Restaurante por quilo no centro comercial
Operação 100% no salão, cliente PF, ticket médio R$ 35. Alíquota efetiva próxima da carga atual do Simples. Decisão: Simples puro segue valendo, basta o PDV estar atualizado.
Restaurante corporativo
Mistura salão e nota mensal para empresa contratante. Cliente PJ quer o crédito de CBS/IBS. Decisão: avaliar Simples Híbrido ou Lucro Presumido. No Simples puro, a empresa contratante não se credita, e você perde competitividade na próxima cotação.
Pizzaria com 70% de delivery via iFood
Margem fina, cliente PF, ticket entre R$ 50 e R$ 90. Tendência é delivery cair em alíquota intermediária ou cheia. Decisão: séries fiscais separadas, manter Simples (cliente PF), revisar precificação no app para cobrir possível alíquota maior.
Bar com forte revenda de bebida
Cerveja e destilado representam 60% do faturamento. IS entra em 2027 e encarece a compra. Decisão: revisar fornecedor (preferir industrial direto que dá crédito mais limpo), revisar mix de cerveja, sair do Simples se o teto for ultrapassado pelo aumento de preço.
Erros mais comuns no tratamento de IBS e CBS
"No Simples não preciso me preocupar"
Engano comum. Mesmo no Simples, a NFC-e de 2026 envia cClassTrib e os campos de IBS/CBS, e restaurante do Simples com PDV desatualizado leva o mesmo tipo de rejeição que aparece no Lucro Presumido.
Cadastrar refeição preparada como "produto"
Cadastrar o filé à parmegiana como industrializado revendido faz o sistema aplicar cClassTrib de alíquota cheia, perdendo a redução. Em alíquota cheia, esse erro custa 16 pontos a mais de imposto.
Não rastrear ficha técnica
Sem ficha, não há vínculo formal entre carne (entrada) e refeição (saída). A SEFAZ glosa o crédito em fiscalização. Sistema com módulo de ficha técnica resolve.
Misturar série fiscal de salão e delivery
Trabalho extra para o contador hoje, retrabalho garantido amanhã se a redução de 60% for confirmada com tratamento distinto para entrega.
Comprar sem nota
Cada nota vira crédito. Fornecedor que não dá nota custa mais do que parece: você ainda perde o crédito que deixou de aproveitar.
Perguntas frequentes
Alíquotas cheias estimadas (CBS 8,8% e IBS 17,7%) são projeções com base em estudos do Ministério da Fazenda e podem variar conforme regulamentação do Comitê Gestor do IBS. A redução de 60% para alimentação consta da LC 214/2025, mas o detalhamento por CNAE e operação pode ser ajustado. Confirme com seu contador. Última atualização: 04/05/2026.
Aprofunde-se nos temas do cluster
O crédito de IBS e CBS começa no cadastro do produto
Restaurante que credita bem ganha alguns pontos de margem. Mas só acontece com ficha técnica, NF de fornecedor e sistema integrado. O SISFOOD tem ficha técnica por item, importação de NF-e por XML e cadastro fiscal por produto, com os dados que o contador precisa para fechar a apuração.
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