Planilha de Fluxo de Caixa para Restaurante: estrutura pronta + exemplo de uma semana

Uma planilha de fluxo de caixa para restaurante precisa de quatro abas: entradas por forma de pagamento, saídas por categoria, resumo diário com saldo e resumo mensal. O saldo final de cada dia vira o saldo inicial do dia seguinte. Sem separar por forma de pagamento e sem registrar a data de recebimento, a planilha mostra faturamento, mas não mostra quanto tem em caixa.
"A maioria das planilhas de restaurante morre na terceira semana. Não por falta de fórmula — por ter uma aba só, onde venda de cartão e dinheiro na gaveta viram a mesma linha."
Aqui está a estrutura: colunas com nome, quatro abas, uma semana preenchida com valores de exemplo e um CSV pronto para abrir no Excel ou no Google Sheets. Por que o fluxo de caixa importa e como ele se liga ao DRE está no artigo sobre fluxo de caixa de restaurante — aqui a conversa é sobre montar o arquivo.
O que a planilha de fluxo de caixa precisa ter
Quatro abas, nessa ordem: Entradas, Saídas, Resumo diário e Resumo mensal.
A divisão existe por um motivo prático. Entradas e saídas são lançamento bruto, uma linha por evento, digitado por quem opera. Os dois resumos são leitura, calculada por fórmula, olhada pelo dono. Quando tudo vive na mesma aba, o resumo precisa ser refeito à mão toda semana, e é aí que a planilha para de ser atualizada.
Baixe o modelo pronto — as quatro abas em blocos, com a semana de exemplo já preenchida.
⬇️ Baixar planilha em CSV Abre no Excel e no Google Sheets. Recorte cada bloco para uma aba própria.Aba 1 — Entradas por forma de pagamento
| Coluna | O que vai nela |
|---|---|
| Data da venda | Dia em que o dinheiro foi faturado |
| Forma de pagamento | Dinheiro, Pix, Débito, Crédito, Vale, iFood, outro marketplace |
| Canal | Salão, balcão, delivery próprio, marketplace |
| Valor bruto | O que o cliente pagou |
| Taxa | Comissão do marketplace ou da adquirente, quando houver |
| Valor líquido | Bruto menos taxa |
| Data prevista de recebimento | Quando o dinheiro entra na conta de verdade |
| Recebido? | Sim ou não |
As duas colunas que quase toda planilha ignora são as duas últimas. Dinheiro e Pix entram no mesmo dia. Débito costuma cair em um dia útil. Crédito à vista pode levar 30 dias, e marketplace tem calendário próprio. Sem a data prevista de recebimento, a planilha diz que você faturou R$ 22 mil na semana e não diz que R$ 9 mil deles só chegam no mês que vem.
Uma linha por forma de pagamento por dia é suficiente. Não precisa lançar venda por venda — isso é trabalho do PDV, não da planilha.
Aba 2 — Saídas por categoria
| Coluna | O que vai nela |
|---|---|
| Data de pagamento | Dia em que o dinheiro saiu |
| Categoria | Fornecedor, folha, aluguel, energia, embalagem, marketing, imposto, manutenção, retirada do sócio |
| Descrição | Nome do fornecedor ou do serviço |
| Valor | Quanto saiu |
| Forma de pagamento | Como foi pago |
| Status | Pago ou a pagar |
| Vencimento | Data em que a conta vence |
A categoria é o campo que dá trabalho e paga o trabalho. Categoria bem preenchida vira análise no fim do mês; categoria "diversos" vira um buraco de 15% das despesas que ninguém consegue explicar. Se aparecer uma despesa que não encaixa em nada, o certo é criar categoria nova, não jogar em "outros".
Retirada de sócio merece linha própria. Ela sai do caixa, então precisa estar na planilha, mas não é custo da operação e não pode entrar na conta de despesa quando você for olhar margem.
Aba 3 — Resumo diário
| Coluna | Como se calcula |
|---|---|
| Data | Um dia por linha, todos os dias do mês |
| Saldo inicial | Saldo final do dia anterior |
| Entradas | Soma das entradas recebidas naquele dia |
| Saídas | Soma das saídas pagas naquele dia |
| Saldo final | Saldo inicial + entradas − saídas |
Essa é a aba que responde a única pergunta que o dono faz de verdade: sobrou quanto. O encadeamento entre os dias é o que faz a planilha funcionar — o saldo final da segunda é o saldo inicial da terça, e assim por diante até o fim do mês.
Um detalhe que muda o resultado: a coluna "Entradas" aqui deve somar o que foi recebido naquele dia, usando a data prevista de recebimento da aba 1, não a data da venda. É a diferença entre saber quanto vendeu e saber quanto tem.
Exemplo preenchido: uma semana de operação
Uma lanchonete de bairro, saldo inicial de R$ 800 na segunda. Valores fictícios, só para mostrar o encadeamento.
| Dia | Saldo inicial | Entradas | Saídas | Saldo final |
|---|---|---|---|---|
| Segunda | R$ 800 | R$ 1.850 | R$ 2.400 | R$ 250 |
| Terça | R$ 250 | R$ 2.100 | R$ 380 | R$ 1.970 |
| Quarta | R$ 1.970 | R$ 2.240 | R$ 520 | R$ 3.690 |
| Quinta | R$ 3.690 | R$ 2.680 | R$ 1.900 | R$ 4.470 |
| Sexta | R$ 4.470 | R$ 4.320 | R$ 610 | R$ 8.180 |
| Sábado | R$ 8.180 | R$ 5.140 | R$ 740 | R$ 12.580 |
| Domingo | R$ 12.580 | R$ 3.960 | R$ 290 | R$ 16.250 |
| Semana | R$ 800 | R$ 22.290 | R$ 6.840 | R$ 16.250 |
A segunda fecha em R$ 250 porque o pagamento do fornecedor de R$ 2.400 caiu no dia mais fraco da semana. O problema ali é de calendário, não de venda. Puxar esse pagamento para a quarta já teria evitado o susto, e é exatamente esse tipo de decisão que só aparece quando o saldo diário está escrito.
Quer entender as duas camadas do fluxo de caixa e a projeção de 30 dias?
Ler o guia de fluxo de caixaAba 4 — Resumo mensal
| Coluna | O que mostra |
|---|---|
| Categoria | Mesma lista da aba 2, mais uma linha para receita |
| Valor do mês | Soma da categoria no período |
| % sobre a receita | Valor da categoria dividido pela receita total |
| Mês anterior | Mesmo valor no mês passado |
| Variação | Diferença entre os dois |
O percentual sobre a receita é o que transforma número em decisão. R$ 4.200 de embalagem não diz nada; 6% do faturamento em embalagem diz bastante, principalmente comparado com os 4% do mês anterior.
Essa aba é também a ponte com o DRE do restaurante. As categorias que você criar aqui são as mesmas que vão alimentar as linhas do demonstrativo, então vale criá-las pensando nisso desde o começo.
A rotina que faz a planilha funcionar
Diário, semanal e mensal
- Todo dia, no fechamento do caixa. Lançar as entradas do dia por forma de pagamento e as saídas pagas. Cinco minutos, feitos por quem fecha o turno.
- Toda segunda. Conferir o extrato bancário contra a coluna "Recebido?" da aba 1. É aqui que aparece a venda de cartão que não caiu.
- Toda segunda, ainda. Lançar as contas que vencem na semana com status "a pagar", para o saldo projetado não mentir.
- Todo dia 1º. Fechar o mês anterior no resumo mensal e comparar os percentuais com o mês passado. Sem essa comparação, a aba 4 é só um arquivo.
- Uma vez por trimestre. Revisar a lista de categorias. Se "diversos" passou de 5% das saídas, tem categoria faltando.
Quem preenche importa tanto quanto o que se preenche. Se a planilha depende do dono lembrar de abrir o arquivo depois de fechar a loja à meia-noite, ela vai atrasar. O passo 1 precisa estar amarrado à rotina de fechamento de caixa, não à disposição de quem chegou em casa.
Erros que estragam a planilha
O primeiro é lançar a venda de cartão na data da venda. O dinheiro não está lá, o saldo fica inflado e o boleto de quinta volta.
O segundo é misturar competência com caixa. Uma nota de fornecedor de R$ 3.000 emitida no dia 5 e paga no dia 30 entra na planilha no dia 30. Fluxo de caixa registra o movimento do dinheiro; o regime de competência é assunto do DRE.
O terceiro é a aba por mês. Doze abas soltas, sem consolidação, e comparar janeiro com maio vira trabalho manual que ninguém faz.
O quarto é tratar retirada do sócio como despesa da operação. Isso derruba a margem no papel e leva a decisões erradas de preço.
O quinto é não registrar sangria e suprimento. Retirada de dinheiro durante o turno mexe no saldo do dia e some da planilha se ninguém anotar — o que está detalhado no artigo sobre sangria de caixa.
Onde a planilha quebra
Ela funciona bem em operação de um caixa, um turno e um dono conferindo. Três situações quebram esse arranjo.
Mais de um operador no mesmo caixa. A planilha registra o total do dia, então quando falta dinheiro não há como saber de qual turno veio.
Recebimento espalhado no calendário. Crédito em 30 dias, marketplace no ciclo dele, débito em um dia útil. Manter a coluna "Recebido?" em dia exige conferência semanal contra o extrato, e é a primeira tarefa a ser abandonada numa semana corrida.
Volume de lançamento. Acima de umas 30 mesas por dia, o número de linhas cresce a ponto de a digitação virar meio expediente.
Essas três coisas são o limite natural da planilha, e reconhecer o limite é melhor do que abandonar o controle porque o arquivo ficou impossível de manter.
O que muda com um sistema
O SisFood é uma plataforma de gestão e automação para restaurantes com foco em operação e aumento de lucro, e o fluxo de caixa nasce da própria venda em vez de ser digitado depois.
Na prática: o caixa do PDV abre com saldo, recebe as entradas e saídas do turno com motivo obrigatório e fecha guardando, por forma de pagamento, o valor que o operador informou e o valor que o sistema calculou. Uma configuração define se o caixa é único para todos os operadores ou individual por usuário — o que resolve o primeiro dos três limites de cima.
Do lado gerencial, contas a pagar e receber ficam no Financeiro, com categoria, e existe uma tela onde cada categoria financeira é vinculada à linha correspondente do DRE. Há ainda uma configuração que duplica automaticamente o lançamento feito no caixa do PDV como conta a pagar ou receber, para o dono não precisar digitar duas vezes.
O que o sistema não faz
O SisFood não exporta o fluxo de caixa para Excel ou CSV. Se a sua rotina depende de mandar planilha para o contador todo mês, isso continua sendo trabalho manual.
Perguntas frequentes
Crie quatro abas: entradas por forma de pagamento, saídas por categoria, resumo diário e resumo mensal. No resumo diário, o saldo final de cada dia é o saldo inicial do dia seguinte. Nas entradas, registre a data prevista de recebimento além da data da venda.
O fluxo de caixa registra o dinheiro entrando e saindo na data em que isso acontece, e responde se você tem saldo para pagar as contas da semana. O DRE registra receita e despesa do período em que foram geradas, e responde se o mês deu lucro.
No dia do recebimento, para efeito de saldo. A data da venda fica registrada na aba de entradas, mas quem alimenta o resumo diário é a data prevista de recebimento. Sem isso o saldo fica inflado e a conta de amanhã volta.
Enquanto for um caixa, um turno e alguém conferindo todo dia, a planilha dá conta. Os sinais de que passou do ponto são dois operadores no mesmo caixa, atraso recorrente no preenchimento e diferença de fechamento que ninguém consegue explicar.
Serve para acompanhar cada loja separadamente, uma pasta por unidade. O que ela não faz bem é consolidar: somar três lojas com categorias que cada gerente preencheu do seu jeito costuma dar mais retrabalho do que informação.
Conclusão
Uma planilha bem montada resolve o controle de caixa de um restaurante pequeno por bastante tempo, desde que tenha as quatro abas, a data de recebimento separada da data da venda e alguém preenchendo no fechamento do caixa. Baixe o modelo, ajuste as categorias para a sua operação e comece pelo resumo diário.
Quando a planilha começa a atrasar
Caixa por usuário, lançamento com motivo obrigatório, fechamento que compara o informado com o calculado e categoria financeira ligada à linha do DRE. Veja como o fluxo de caixa do SisFood funciona na sua operação.
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