CFOP Restaurante 2026: Tabela Completa + Como Usar na NF-e e NFC-e
O CFOP é aquele código de 4 dígitos que ninguém olha. Até o contador aparecer com divergência no SPED. Ou pior: a fiscalização cruzar notas e apontar venda interestadual classificada como interna. CFOP errado não trava a NFC-e no caixa. O estrago aparece meses depois: autuação, ICMS pago a mais, retrabalho contábil.
Este guia traz a tabela CFOP para restaurantes como ela cai no dia a dia: balcão, delivery, iFood, devolução, bonificação, transferência entre lojas e interestadual. Código certo pra cada cenário.
📌 Os CFOPs que aparecem no cadastro do produto no SisFood:
- 5101 — Venda produção do estabelecimento (sua cozinha preparou: lanche, marmitex, prato montado)
- 5102 — Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros (balcão, delivery próprio, iFood dentro do estado)
- 5104 — Venda efetuada fora do estabelecimento (atendimento externo, evento)
- 5403 — Venda com substituição tributária, contribuinte-substituto
- 5405 — Venda com ST, contribuinte substituído (refrigerante e cerveja com ICMS já recolhido na origem)
- 6152 — Transferência de mercadoria pra filial em outro estado
Escolhe uma vez no produto e o sistema usa daí pra frente. Pra devolução, bonificação e outros casos, veja as tabelas abaixo.
O CFOP (Código Fiscal de Operações e Prestações) é o código de 4 dígitos que identifica o tipo de operação em cada item da nota. No restaurante, 5.102 cobre venda no balcão e delivery dentro do estado, 5.101 é produção própria (lanche, marmitex), 6.x entra em qualquer operação interestadual. Devolução, bonificação e transferência têm códigos próprios. Configurar uma vez no sistema elimina erro recorrente e protege a apuração de ICMS.
O que é CFOP e como funciona em restaurantes?
CFOP é o Código Fiscal de Operações e Prestações, definido pelo CONFAZ. São 4 dígitos em cada item da nota. O primeiro deles já indica a natureza geral:
| 1º Dígito | Tipo de Operação | Exemplo no Restaurante |
|---|---|---|
| 1 | Entrada dentro do estado | Compra de insumo de fornecedor local |
| 2 | Entrada de outro estado | Compra de bebida importada de outro estado |
| 3 | Entrada do exterior | Importação de vinho ou ingrediente especial |
| 5 | Saída dentro do estado | Venda no balcão e delivery local |
| 6 | Saída para outro estado | Venda interestadual (raro em restaurante) |
| 7 | Saída para o exterior | Exportação (não se aplica em restaurante) |
Na maioria dos restaurantes, quase todas as notas usam CFOPs iniciados em 5 (venda dentro do estado). Os demais aparecem em situações pontuais: compra de fornecedor de outro estado (1 ou 2), devolução de cliente, transferência entre lojas da rede.
Qual a diferença entre CFOP e NCM no restaurante?
É uma das confusões mais comuns no cadastro fiscal. Vale colocar lado a lado:
| Item | NCM | CFOP |
|---|---|---|
| O que classifica | A mercadoria em si | O tipo de operação |
| Quantos dígitos | 8 dígitos | 4 dígitos |
| Exemplo no balcão | 2202.10.00 (refrigerante) | 5.102 (venda no estado) |
| Muda conforme | O produto vendido | A natureza da operação e o destino |
| Origem | Tabela TIPI / NCM Mercosul | Convênio CONFAZ |
Um exemplo: um refrigerante de 350ml tem NCM 2202.10.00 sempre, não importa pra quem é vendido. Já o CFOP varia: 5.102 pro cliente do balcão, 6.102 quando a venda atravessa pra outro estado, 1.202 quando entra como devolução.
Pra aprofundar no NCM, veja o guia da tabela NCM para restaurantes.
Qual a tabela CFOP completa para restaurantes por operação?
Daqui pra frente é uso direto. A lista abaixo reúne os CFOPs mais usados no restaurante, separados por tipo de operação. Serve pra configurar o sistema e revisar cadastros antigos.
| CFOP | Descrição | Quando usar no restaurante |
|---|---|---|
| 5.102 | Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros (dentro do estado) | Venda no balcão, delivery próprio, iFood (operação padrão) |
| 5.405 | Venda de mercadoria sujeita a ST, na condição de contribuinte substituído | Restaurante que vende refrigerante e cerveja com ICMS-ST já recolhido na origem pela indústria (caso mais comum) |
| 5.403 | Venda de mercadoria sujeita a ST, na condição de contribuinte substituto | Raro em restaurante: aplica quando o próprio estabelecimento é responsável por recolher o ICMS-ST |
| 6.102 | Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros (fora do estado) | Venda interestadual a consumidor final ou empresa |
| 5.929 | Lançamento efetuado em decorrência de emissão de cupom fiscal | Notas geradas a partir de cupom fiscal (caso de operação consolidada) |
| 5.949 | Outra saída de mercadoria não especificada | Operações atípicas: usar com cuidado e validar com contador |
| CFOP | Descrição | Quando usar no restaurante |
|---|---|---|
| 1.202 | Devolução de venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros (dentro do estado) | Cliente devolveu o pedido; restaurante recebe a devolução |
| 2.202 | Devolução de venda de mercadoria (fora do estado) | Devolução de cliente de outro estado |
| 5.202 | Devolução de compra para comercialização (saída) | Restaurante devolve produto ao fornecedor (dentro do estado) |
| 6.202 | Devolução de compra para comercialização (saída interestadual) | Restaurante devolve produto a fornecedor de outro estado |
| CFOP | Descrição | Quando usar no restaurante |
|---|---|---|
| 5.910 | Remessa em bonificação, doação ou brinde (dentro do estado) | Cortesia oferecida ao cliente, brinde, degustação |
| 6.910 | Remessa em bonificação, doação ou brinde (fora do estado) | Brinde enviado para cliente em outro estado (raro) |
| 5.911 | Remessa de amostra grátis (dentro do estado) | Amostra de produto novo para evento ou parceiro |
| CFOP | Descrição | Quando usar no restaurante |
|---|---|---|
| 5.151 | Transferência de produção do estabelecimento (dentro do estado) | Cozinha central manda preparo para outra loja da rede |
| 5.152 | Transferência de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros (dentro do estado) | Loja A transfere refrigerante para loja B no mesmo estado |
| 6.151 | Transferência de produção (interestadual) | Cozinha central de SP manda preparo para loja em MG |
| 6.152 | Transferência de mercadoria de terceiros (interestadual) | Transferência de bebidas entre filiais de estados diferentes |
| CFOP | Descrição | Quando usar no restaurante |
|---|---|---|
| 1.102 | Compra para comercialização (dentro do estado) | Compra de insumo de fornecedor local |
| 2.102 | Compra para comercialização (fora do estado) | Compra de bebida ou ingrediente de fornecedor de outro estado |
| 1.403 | Compra para comercialização sob ST (dentro do estado) | Compra de produto com substituição tributária |
| 2.403 | Compra para comercialização sob ST (fora do estado) | Compra interestadual com ICMS-ST |
| 1.556 | Compra de material para uso ou consumo (dentro do estado) | Compra de material descartável (guardanapo, embalagem) |
Quais CFOPs usar em operações específicas do restaurante?
Venda no balcão e atendimento no salão
É a operação mais frequente: cliente consome no local e paga no caixa. Na maioria dos casos, a NFC-e sai com CFOP 5.102 nos itens de mercadoria (comida e bebida). Quando o item já vem com substituição tributária recolhida na origem (caso típico de refrigerante e cerveja), o código costuma ser o 5.405.
Não existe distinção de CFOP entre "comida que vai pra mesa" e "comida que sai pelo balcão". Fiscalmente, as duas são saída de mercadoria dentro do estado.
Delivery próprio
Mesmo CFOP do balcão: 5.102. Motoboy entregando no bairro vizinho não muda a natureza da operação. Continua sendo venda a consumidor final dentro do estado. Só muda se o entregador atravessar a divisa estadual e levar o pedido pra outro estado: aí passa a ser 6.102.
Pedido pelo iFood, Aiqfome, 99Food e marketplaces
O detalhe é quem emite a nota. No modelo mais comum, o próprio restaurante emite a NFC-e do pedido com CFOP 5.102, igual à venda direta. O marketplace é só o canal; o que sai continua sendo mercadoria do restaurante pro consumidor final.
Existe um arranjo menos comum em que o marketplace assume a emissão como vendedor. Nesse caso, o restaurante pode emitir nota pro próprio marketplace, com outro CFOP. Precisa estar no contrato e validado fiscalmente antes de entrar em operação.
Cortesia, brinde e degustação
Sempre que o restaurante entrega um item sem cobrar (compensação de pedido errado, brinde de aniversário, degustação de prato novo), fiscalmente é uma saída sem cobrança. O CFOP é o 5.910 (remessa em bonificação, doação ou brinde).
Na prática, é um código que costuma ficar esquecido. Muita gente simplesmente não emite nota da cortesia, e a omissão descasa o estoque do controle fiscal.
Devolução de cliente
Cliente recebeu, não gostou e devolveu. O restaurante precisa registrar a devolução. O CFOP é 1.202 (entrada por devolução de venda dentro do estado). No sistema, entra como "nota de entrada" vinculada à nota original.
Transferência entre lojas da rede
Em rede, é comum a cozinha central preparar molhos, carnes ou massas e mandar pras lojas. Essa movimentação interna não é venda; fiscalmente é transferência. Dentro do mesmo estado: 5.151 (produção própria) ou 5.152 (mercadoria de terceiros). Cruzando estado: 6.151 ou 6.152.
Quais são os erros mais comuns de CFOP em restaurantes?
Em auditoria e fiscalização real, alguns erros se repetem:
Usar 5.102 pra tudo
Erro clássico. O cadastro inicial sai com 5.102 em todos os produtos e nunca é revisado. Resultado: refrigerante com ST aparece como venda comum, transferência entre lojas vira venda, cortesia some do controle. A divergência só aparece na auditoria.
Ignorar a diferença interestadual
Em região de divisa (norte de SP encostando no sul de MG, divisa do DF com Goiás), é comum o restaurante entregar do outro lado da fronteira sem perceber. Todas as notas saem com 5.102, quando boa parte deveria ser 6.102. Se o fisco cruzar com o endereço de entrega, a divergência aparece.
Cortesia sem CFOP de bonificação
Muito restaurante oferece cortesia sem registrar fiscalmente. Quando registra, costuma sair com 5.102, como se fosse venda comum. O correto é 5.910 (bonificação). A troca não é estética: muda o tratamento tributário.
Devolução tratada como saída negativa
Sistemas antigos lançam devolução como "venda negativa" em vez de emitir nota de entrada com 1.202. Esse atalho bagunça a apuração e o SPED.
Não atualizar quando muda o regime tributário
Migrou do Simples pro Lucro Presumido (ou vice-versa) e o cadastro de CFOP ficou parado no regime antigo. Como os códigos podem variar por regime, atualizar isso é parte indispensável da migração.
Como configurar o CFOP corretamente no sistema?
Preencher CFOP manualmente em cada nota é inviável. Nenhum operador de caixa decide código fiscal no meio do pico: é fonte certa de erro. O caminho realista é configurar regras automáticas no sistema, com base em três critérios.
1. Regime tributário do restaurante
Simples Nacional usa CSOSN (não CST), e isso afeta a escolha de CFOP em algumas operações de ST. Lucro Presumido e Real seguem outra lógica. Pra sugerir o CFOP certo, o sistema precisa saber em qual regime o restaurante está.
2. Tipo de operação
Cabe ao sistema identificar se a venda é balcão, delivery, marketplace, devolução, transferência ou bonificação. Cada uma tem CFOP padrão associado. Configura uma vez, vale pra todas as vendas seguintes.
3. Estado de destino
O padrão da NFC-e de balcão é sempre 5.x (dentro do estado). Mas em entrega cruzando divisa, venda pra empresa de outro estado ou transferência entre filiais, o sistema precisa identificar o destino e migrar de 5.x pra 6.x sozinho.
Pra entender os códigos de tributação que andam com o CFOP, veja o guia de CST e CSOSN para restaurantes.
📚 Continue aprofundando — cluster fiscal completo do SisFood
Como o SisFood ajuda na rotina de CFOP?
CFOP no PDV é tarefa que, malfeita, vira passivo fiscal. Bem-feita, ninguém precisa lembrar dela. O SisFood não substitui o contador (quem decide o CFOP de cada produto continua sendo ele), mas tira da operação diária a parte que pode ser automatizada:
CFOP no cadastro do produto: escolheu uma vez no dropdown do produto (5101, 5102, 5104, 5403, 5405 ou 6152) e o sistema usa em todas as notas seguintes daquele item. O caixa não decide nada no pico.
NFC-e e NF-e prontas pra emitir: NFC-e direta no PDV (com vínculo de CPF/CNPJ e impressão opcional) e NF-e separada pra venda corporativa, com indicador de operação interna ou interestadual escolhido na hora de gerar.
Modo contingência na NFC-e: se a SEFAZ está fora ou a internet caiu, o caixa segue emitindo em contingência com motivo registrado. Sem travar o atendimento.
Carta de correção, cancelamento e inutilização: os três procedimentos que o contador pede de tempos em tempos saem direto pelo painel fiscal, sem ter que ligar pra ninguém.
XMLs do mês prontos pro contador: botão único pra baixar todas as NFC-e e NF-e de qualquer mês. Tem ainda atalho do mês passado, que é o que o contador mais pede.
Perguntas Frequentes sobre CFOP em Restaurantes
Conclusão: CFOP automático é caixa rodando sem trava
CFOP é tema que o dono não precisa virar especialista. Mas o sistema, sim. Caixa parado pra escolher código a cada venda, fiscalização descobrindo erro só na auditoria, contador recebendo relatório bagunçado todo mês: são sintomas de configuração mal-feita, não de tema complicado.
O caminho prático: sentar com o contador, configurar as regras uma vez, deixar o sistema cuidar. Quem opera assim tem NFC-e saindo sem travar no pico, apuração limpa no fim do mês e tranquilidade em auditoria. E o custo de automatizar continua bem menor que o de qualquer multa.
Tenha um sistema fiscal que funciona sozinho
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