MEI Pode Ter Restaurante? Regras, Limite de Faturamento e Quando Migrar em 2026

Publicado em 27/04/2026 Por equipe SisFood Leitura: 9 min
Dono de pequeno restaurante MEI organizando pedidos no caixa

Sim, MEI pode ter restaurante, mas com limites bem definidos. CNAEs aceitos: 5611-2/03 (lanchonete, casa de chá, casa de sucos), 5612-1/00 (serviços ambulantes de alimentação) e 5620-1/04 (alimentação para eventos). Teto de faturamento MEI: R$ 81.000/ano (R$ 6.750/mês em média). Não pode ter sócio, só 1 funcionário e não pode usar CNAE de restaurante completo (5611-2/01). Para crescer, migra para Microempresa (ME) no Simples Nacional.

MEI pode ter restaurante? Pode. Só que dentro de uma janela bem estreita. Quando ultrapassada sem ajuste, vira autuação retroativa, multa e desenquadramento forçado. Quem abriu marmitaria, lanchonete ou está pensando em montar um pequeno restaurante precisa conhecer essas regras antes de bater o primeiro pedido. Não depois que a Receita cruzar dados do iFood.

Atualizado para 2026, este guia mostra exatamente o que o regime permite (com os CNAEs aceitos), o teto de R$ 81 mil/ano sem maquiagem, o que acontece se você passar 10% ou 30% do limite e o momento certo para migrar para ME antes que o MEI vire gargalo da operação.

Resposta rápida: MEI pode ter restaurante?

Sim, MEI pode ter restaurante, desde que seja uma operação pequena: faturamento de até R$ 81.000 por ano (limite vigente em 2026), no máximo 1 funcionário registrado e atividade enquadrada em um CNAE permitido — como lanchonete (5611-2/03) ou marmitex (5620-1/04).

Não pode quando o restaurante cresce, ultrapassa esse faturamento, precisa de mais funcionários ou opera em escala maior. Nesses casos, o caminho é migrar para Microempresa (ME) no Simples Nacional.

MEI pode ter restaurante? Entenda o que é permitido

O Microempreendedor Individual foi desenhado para formalizar pequenos negócios, não para sustentar restaurantes de médio ou grande porte. A pergunta "MEI pode ter restaurante" precisa, portanto, ser respondida com algum contexto operacional, e não no abstrato.

Na prática, o regime se encaixa muito bem em três configurações típicas do food service:

Restaurante grande não cabe no MEI

Existe um ponto que muita gente desconsidera: um restaurante com salão amplo, vários garçons, cozinha estruturada e movimento forte no pico simplesmente não fecha a conta dentro do teto de R$ 81 mil por ano. Numa operação assim, basta multiplicar ticket médio por número de pedidos diários para perceber que o limite é estourado em poucos meses.

É por esse motivo que pequenos restaurantes de bairro costumam começar como microempreendedor individual, mas migram para Microempresa já no primeiro ou segundo ano de funcionamento.

CNAEs permitidos para restaurante no MEI

O CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) é o código que define oficialmente o que a empresa faz. No food service, parte dos códigos está liberada para o microempreendedor e outra parte não. Escolher o CNAE correto evita atrito com a Receita, vigilância sanitária e até com o próprio iFood, que aceita só algumas classes específicas.

Vale lembrar: o SisFood emite NFC-e e NF-e quando os módulos fiscais estão ativados, mas a responsabilidade de escolher o CNAE certo e configurar os tributos do produto continua com você e seu contador.

Código CNAEAtividadeQuando usar
5611-2/03Lanchonetes, casas de chá, sucos e similaresHamburgueria, açaiteria, lanchonete de bairro, fast food simples
5620-1/04Fornecimento de alimentos preparados para consumo domiciliarMarmitex, marmitaria fitness, comida congelada, delivery de refeições
1091-1/03Fabricação de produtos de padaria e confeitariaPadaria pequena, confeitaria, salgaderia caseira
4721-1/02Comércio varejista de doces, balas, bombons e semelhantesDoceria, loja de doces e sobremesas
Atenção ao CNAE 5611-2/01 (restaurantes e similares): esse código também aparece em consultas, mas o sistema PDV de um restaurante completo (com salão, garçom e ticket médio maior) costuma estourar o teto do MEI em poucos meses. Na prática, o caminho mais seguro para quem quer começar pequeno é abrir como lanchonete (5611-2/03) ou marmiteiro (5620-1/04).
Tabela com CNAEs permitidos para restaurante MEI no Brasil

Posso ter mais de um CNAE?

Pode. O MEI registra 1 atividade principal e até 15 atividades secundárias, útil quando o pequeno restaurante vende marmita no almoço, salgado à tarde e ainda mantém delivery. O CNAE principal deve refletir a maior fonte de receita; os demais entram como secundários.

Limite de faturamento do MEI em 2026: R$ 81.000 por ano

O limite MEI 2026 permanece em R$ 81.000 anuais, valor em vigor desde 2018. Não houve reajuste neste ano, apesar de projetos no Congresso (PLP 108/21, que pretende elevar o teto para R$ 130 mil, já com regime de urgência aprovado na Câmara) ainda em tramitação. Até que algum desses projetos seja sancionado, vale o teto atual.

📊 Faturamento MEI restaurante em 2026:
• Limite anual: R$ 81.000
• Média mensal de referência: R$ 6.750
• Pode faturar mais em um mês e menos em outro: o que conta é o total do ano
• DAS mensal (comércio): R$ 82,05 (5% do salário mínimo de R$ 1.621 + R$ 1 de ICMS, conforme Decreto 12.797/2025)

Teto do MEI é anual, não mensal

Esse detalhe é decisivo na operação do caixa. Faturar R$ 10 mil em dezembro (mês de festas, com mais pedidos) e R$ 4 mil em fevereiro não gera problema algum. O que a Receita olha é a receita bruta acumulada nos 12 meses do ano-calendário.

E se eu abrir o MEI no meio do ano?

O limite passa a ser proporcional. A conta é direta: R$ 6.750 multiplicados pelo número de meses ativos no ano. Quem abre em junho, por exemplo, tem 7 meses ativos (junho a dezembro), e o teto desse primeiro ano fica em R$ 47.250.

⚠️ Cuidado: rendas da MESMA atividade econômica feitas no CPF (ex: venda de marmita sem nota) podem ser somadas ao faturamento da MEI em fiscalização. Mas salários, transferências e empréstimos NÃO entram no limite — a Receita Federal desmentiu como fake news a soma indiscriminada CPF + CNPJ (comunicado oficial de 28/11/2025).

Quando o MEI não é mais suficiente para o seu restaurante

Esse costuma ser o ponto que mais pega dono de restaurante desprevenido. O microempreendedor é um regime de partida, não de chegada. Quando a casa cresce, ele aperta em várias frentes ao mesmo tempo:

Com dois ou mais desses sinais juntos, está na hora de planejar a saída do regime. Insistir em operar o software para restaurante dentro de um teto que já não cabe é convite para autuação: nos últimos anos, a Receita Federal tem desenquadrado centenas de milhares de microempreendedores por excesso de faturamento.

Quando sair do MEI: sinais claros de que chegou a hora

Migrar para Microempresa (ME) parece burocrático, mas é o passo natural de quem está vendendo bem. Os sinais que indicam o momento certo costumam ser bem objetivos:

1. Faturamento se aproximando de R$ 70 mil ao ano

Se em outubro o acumulado já passou dos R$ 65 mil, dificilmente o ano vai fechar dentro do teto. Antecipar a migração evita o estresse do desenquadramento retroativo.

2. Crescimento estruturado

Quando o restaurante já trabalha com fluxo previsível, contratos firmados com fornecedores e marca consolidada no bairro, o MEI vira camisa apertada. Como ME no Simples Nacional, o faturamento anual pode chegar a R$ 360 mil e o número de funcionários deixa de ser limitado.

3. Necessidade de automação real

No início, controlar pedido no caderno até resolve. Mas quando iFood, salão e balcão começam a despachar simultaneamente no pico, sem um sistema de gestão para restaurante o caos toma conta da operação. Crescer exige ferramenta. E ferramenta de verdade pede regime fiscal compatível.

💡 Vantagens de migrar para ME: emissão de NF-e completa, mais de um funcionário, ticket médio sem teto, parcerias B2B, acesso a crédito empresarial e operação compatível com sistemas de PDV profissionais.

MEI para marmitaria: por que é o melhor formato para começar

Entre todos os modelos de negócio do food service, a marmitaria é provavelmente o que mais combina com o microempreendedor. O MEI para marmitex funciona bem porque a estrutura é enxuta, o investimento inicial é baixo, e a operação cabe na mão do dono.

Vale dizer: nada disso depende de um robô captando pedido sozinho. SisFood opera online (PDV, comanda, fiscal e integração de delivery), e no WhatsApp o dono clica em "novo pedido" e o sistema abre a tela já com nome e telefone do cliente. Sem milagre.

Por que faz sentido começar como marmiteiro MEI

Na prática, é viável produzir 30 marmitas por dia a R$ 18 cada, operando apenas de segunda a sexta. A receita gira em torno de R$ 10.800 mensais; e mesmo nesse volume já vale acompanhar o acumulado anual de perto, porque o teto chega rápido.

Marmitaria pequena MEI organizando entregas de delivery

Impostos do MEI para restaurante: o que está incluído

A maior vantagem do regime continua sendo o valor fixo mensal, o famoso DAS-MEI. Para quem opera restaurante, marmitaria ou lanchonete (atividade de comércio com ICMS), os valores de 2026 ficam assim:

AtividadeValor mensal (DAS)O que está incluído
Comércio (ICMS) — lanchonete, marmitariaR$ 82,055% do salário mínimo de R$ 1.621 + R$ 1 de ICMS (Decreto 12.797/2025)
Serviços (ISS)R$ 86,055% do salário mínimo de R$ 1.621 + R$ 5 de ISS (Decreto 12.797/2025)
Comércio e serviçosR$ 87,055% do salário mínimo de R$ 1.621 + R$ 1 de ICMS + R$ 5 de ISS (Decreto 12.797/2025)

Com o DAS em dia, o microempreendedor garante aposentadoria por idade, auxílio-doença, salário-maternidade e pensão por morte para a família. Comparado à Microempresa, cujos impostos no Simples partem de 4% sobre o faturamento, o MEI sai muito mais barato, desde que o volume de fato comporte o regime.

Erros comuns de quem abre restaurante MEI

Na rotina de pequenos restaurantes que entram no SisFood, alguns erros se repetem com frequência. Conhecer essa lista evita queimar etapas mais para frente:

1. Achar que pode faturar ilimitado

O microempreendedor é um regime simplificado, não um cheque em branco. Receita bruta soma tudo que entra (Pix, cartão, dinheiro, iFood, Aiqfome, 99Food), sem desconto de custo, fornecedor ou aluguel. O cálculo não admite filtros.

2. Não acompanhar o faturamento mês a mês

É o erro mais caro do conjunto. Sem controle no mês a mês, em outubro o dono descobre que o teto foi furado lá em julho. Um sistema de gestão de restaurante com acumulado anual em tempo real corta esse susto pela raiz.

3. Vender sem nota e achar que "não conta"

Conta sim. Maquininha de cartão, iFood, Pix recebido como pessoa jurídica: tudo é informado à Receita. A fiscalização cruza dados com e-Financeira, marketplaces e operadoras. Em 2024, mais de meio milhão de microempreendedores foram desenquadrados justamente por essa razão.

4. Crescer sem migrar

Vender bem é ótimo, mas crescer dentro de um regime que já não comporta a operação gera multa, juros Selic e desenquadramento retroativo. Se o restaurante deslanchou, vale organizar a migração antes que a Receita faça isso pelo dono.

5. Confundir CNAE

Abrir como "restaurante" (5611-2/01) quando a operação é, de fato, uma lanchonete pode trazer atrito com vigilância sanitária e até com o iFood, que valida a categoria registrada no CNPJ.

🎯 Dica de operação: mesmo sendo MEI, organizar caixa, estoque e pedidos com um sistema de PDV adequado faz diferença direta no lucro. Erro de troco, marmita perdida no delivery e estoque mal controlado comem margem de quem já trabalha com pouco. Operação organizada cresce; operação no caderno se perde.

Perguntas frequentes sobre MEI restaurante

MEI pode vender comida?
Sim. O microempreendedor pode vender comida desde que escolha um CNAE permitido — como lanchonete (5611-2/03), marmitex (5620-1/04) ou padaria (1091-1/03) — e respeite o limite anual de R$ 81 mil. Também é obrigatório seguir as normas da vigilância sanitária para alimentação.
Quanto um MEI pode faturar por mês em 2026?
Não existe limite mensal fixo. O teto é anual: R$ 81.000 em 2026, o que dá uma média de R$ 6.750 por mês. Você pode vender R$ 12 mil em dezembro e R$ 4 mil em fevereiro, desde que a soma do ano não passe de R$ 81 mil.
Posso ter funcionários sendo MEI?
Sim, mas apenas 1 funcionário registrado, recebendo salário mínimo ou o piso da categoria. Se o restaurante já precisa de cozinheiro, atendente e motoboy, é hora de migrar para Microempresa.
MEI pode ter restaurante grande?
Não. O regime foi desenhado para operações pequenas: até R$ 81 mil de receita por ano e 1 funcionário. Restaurantes com salão amplo, equipe completa e ticket médio elevado precisam operar como ME (Microempresa) ou EPP (Empresa de Pequeno Porte).
O que acontece se passar do limite do MEI?
Depende do quanto você passou. Se ultrapassou em até 20% (até R$ 97.200), você paga um DAS complementar sobre o excedente e migra para ME no ano seguinte. Se passou de 20%, o desenquadramento é retroativo a janeiro do ano corrente, com recálculo de impostos pelas alíquotas do Simples Nacional, multa e juros pela taxa Selic.
MEI pode atender pelo iFood?
Pode. O iFood aceita CNAEs das classes 5611, 5612, 5620 e 4721, todos compatíveis com o microempreendedor. Mas atenção: o aplicativo informa todas as movimentações à Receita, então o controle do limite anual precisa ser rigoroso.
Preciso emitir nota fiscal sendo MEI?
Em 2026, o MEI é obrigado a emitir nota fiscal apenas em vendas para pessoas jurídicas. Para pessoa física, só é obrigatório se o cliente solicitar. A partir de 04/01/2027, o MEI passa a ser obrigado a preencher os campos de IBS e CBS nas notas fiscais emitidas (regra 1115 da NT 2025.002 v1.10, conforme art. 348 da LC 214/2025).
O MEI vai aumentar o limite em 2026?
Até o momento, não. O teto continua em R$ 81 mil. Existe o PLP 108/21, que pretende elevar o limite para R$ 130 mil, e teve regime de urgência aprovado na Câmara. Mas enquanto não houver sanção presidencial, o valor permanece o mesmo.

Conclusão: MEI é ótimo para começar, mas tem prazo de validade

Voltando à pergunta inicial: MEI pode ter restaurante, sim, desde que a operação seja pequena, controlada e com receita anual dentro do teto de R$ 81 mil. Para marmitaria, lanchonete de bairro ou delivery enxuto, o regime é uma porta de entrada difícil de superar: barato, simples e com benefícios previdenciários reais.

O que muda o jogo é entender que o microempreendedor é um ponto de partida. À medida que o restaurante cresce em pedidos no pico, em equipe e em ticket médio, o regime aperta. Permanecer por inércia costuma terminar em multa, desenquadramento retroativo e dor de cabeça com a Receita.

A regra prática é simples: monitorar o faturamento mês a mês, escolher o CNAE certo desde a abertura e planejar a migração antes que ela seja imposta. Restaurante saudável é restaurante com previsibilidade fiscal, operacional e financeira.

Seu restaurante está crescendo? Organize a operação antes do caos.

O SisFood é a plataforma de gestão para restaurantes que cresce com você: do MEI marmitaria até o restaurante com várias unidades. PDV, comanda eletrônica, monitor de preparo, NFC-e/NF-e, integração com iFood, Aiqfome e 99Food, controle de caixa e relatório de faturamento em tempo real; tudo em um lugar, para você nunca ser pego de surpresa pelo limite anual.

Quero falar com especialista do SisFood
📖 Veja o guia completo do cluster: Guia de Tipos de Negócio em Food Service — visão geral com links para todos os modelos.
Bruno Schneider, fundador do SISFOOD
Bruno Schneider
Fundador do SISFOOD desde 2016 ajudando restaurantes a vender mais e operar melhor.
LinkedIn →

Fontes

Última verificação: 24 de maio de 2026.

Vendas via WhatsApp:

Segunda à sexta das 10h às 19h