MEI Pode Ter Restaurante? Regras, Limite de Faturamento e Quando Migrar em 2026

Sim, MEI pode ter restaurante, mas com limites bem definidos. CNAEs aceitos: 5611-2/03 (lanchonete, casa de chá, casa de sucos), 5612-1/00 (serviços ambulantes de alimentação) e 5620-1/04 (alimentação para eventos). Teto de faturamento MEI: R$ 81.000/ano (R$ 6.750/mês em média). Não pode ter sócio, só 1 funcionário e não pode usar CNAE de restaurante completo (5611-2/01). Para crescer, migra para Microempresa (ME) no Simples Nacional.
MEI pode ter restaurante? Pode. Só que dentro de uma janela bem estreita. Quando ultrapassada sem ajuste, vira autuação retroativa, multa e desenquadramento forçado. Quem abriu marmitaria, lanchonete ou está pensando em montar um pequeno restaurante precisa conhecer essas regras antes de bater o primeiro pedido. Não depois que a Receita cruzar dados do iFood.
Atualizado para 2026, este guia mostra exatamente o que o regime permite (com os CNAEs aceitos), o teto de R$ 81 mil/ano sem maquiagem, o que acontece se você passar 10% ou 30% do limite e o momento certo para migrar para ME antes que o MEI vire gargalo da operação.
Resposta rápida: MEI pode ter restaurante?
Sim, MEI pode ter restaurante, desde que seja uma operação pequena: faturamento de até R$ 81.000 por ano (limite vigente em 2026), no máximo 1 funcionário registrado e atividade enquadrada em um CNAE permitido — como lanchonete (5611-2/03) ou marmitex (5620-1/04).
Não pode quando o restaurante cresce, ultrapassa esse faturamento, precisa de mais funcionários ou opera em escala maior. Nesses casos, o caminho é migrar para Microempresa (ME) no Simples Nacional.
MEI pode ter restaurante? Entenda o que é permitido
O Microempreendedor Individual foi desenhado para formalizar pequenos negócios, não para sustentar restaurantes de médio ou grande porte. A pergunta "MEI pode ter restaurante" precisa, portanto, ser respondida com algum contexto operacional, e não no abstrato.
Na prática, o regime se encaixa muito bem em três configurações típicas do food service:
- Marmitaria caseira ou de bairro: produção em casa ou em cozinha pequena, entrega ou retirada.
- Lanchonete pequena: atendimento simples, poucos itens, balcão ou pequeno salão.
- Delivery exclusivo: operação 100% por aplicativo (iFood, Aiqfome, 99Food) ou WhatsApp, sem salão.
Restaurante grande não cabe no MEI
Existe um ponto que muita gente desconsidera: um restaurante com salão amplo, vários garçons, cozinha estruturada e movimento forte no pico simplesmente não fecha a conta dentro do teto de R$ 81 mil por ano. Numa operação assim, basta multiplicar ticket médio por número de pedidos diários para perceber que o limite é estourado em poucos meses.
É por esse motivo que pequenos restaurantes de bairro costumam começar como microempreendedor individual, mas migram para Microempresa já no primeiro ou segundo ano de funcionamento.
CNAEs permitidos para restaurante no MEI
O CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) é o código que define oficialmente o que a empresa faz. No food service, parte dos códigos está liberada para o microempreendedor e outra parte não. Escolher o CNAE correto evita atrito com a Receita, vigilância sanitária e até com o próprio iFood, que aceita só algumas classes específicas.
Vale lembrar: o SisFood emite NFC-e e NF-e quando os módulos fiscais estão ativados, mas a responsabilidade de escolher o CNAE certo e configurar os tributos do produto continua com você e seu contador.
| Código CNAE | Atividade | Quando usar |
|---|---|---|
| 5611-2/03 | Lanchonetes, casas de chá, sucos e similares | Hamburgueria, açaiteria, lanchonete de bairro, fast food simples |
| 5620-1/04 | Fornecimento de alimentos preparados para consumo domiciliar | Marmitex, marmitaria fitness, comida congelada, delivery de refeições |
| 1091-1/03 | Fabricação de produtos de padaria e confeitaria | Padaria pequena, confeitaria, salgaderia caseira |
| 4721-1/02 | Comércio varejista de doces, balas, bombons e semelhantes | Doceria, loja de doces e sobremesas |

Posso ter mais de um CNAE?
Pode. O MEI registra 1 atividade principal e até 15 atividades secundárias, útil quando o pequeno restaurante vende marmita no almoço, salgado à tarde e ainda mantém delivery. O CNAE principal deve refletir a maior fonte de receita; os demais entram como secundários.
Limite de faturamento do MEI em 2026: R$ 81.000 por ano
O limite MEI 2026 permanece em R$ 81.000 anuais, valor em vigor desde 2018. Não houve reajuste neste ano, apesar de projetos no Congresso (PLP 108/21, que pretende elevar o teto para R$ 130 mil, já com regime de urgência aprovado na Câmara) ainda em tramitação. Até que algum desses projetos seja sancionado, vale o teto atual.
• Limite anual: R$ 81.000
• Média mensal de referência: R$ 6.750
• Pode faturar mais em um mês e menos em outro: o que conta é o total do ano
• DAS mensal (comércio): R$ 82,05 (5% do salário mínimo de R$ 1.621 + R$ 1 de ICMS, conforme Decreto 12.797/2025)
Teto do MEI é anual, não mensal
Esse detalhe é decisivo na operação do caixa. Faturar R$ 10 mil em dezembro (mês de festas, com mais pedidos) e R$ 4 mil em fevereiro não gera problema algum. O que a Receita olha é a receita bruta acumulada nos 12 meses do ano-calendário.
E se eu abrir o MEI no meio do ano?
O limite passa a ser proporcional. A conta é direta: R$ 6.750 multiplicados pelo número de meses ativos no ano. Quem abre em junho, por exemplo, tem 7 meses ativos (junho a dezembro), e o teto desse primeiro ano fica em R$ 47.250.
Quando o MEI não é mais suficiente para o seu restaurante
Esse costuma ser o ponto que mais pega dono de restaurante desprevenido. O microempreendedor é um regime de partida, não de chegada. Quando a casa cresce, ele aperta em várias frentes ao mesmo tempo:
- Faturamento alto: a operação já passa dos R$ 7 mil por mês de forma consistente.
- Equipe maior: você precisa de cozinheiro, atendente, motoboy e ajudante, mas o MEI permite só 1 funcionário.
- Alto volume no horário de pico: almoço lotado, delivery a todo vapor, controle no papel já não funciona.
- Necessidade de emitir mais notas: empresas começam a pedir nota fiscal para reembolso ou contabilidade.
- Expansão: abrir uma segunda unidade, virar dark kitchen, entrar em mais aplicativos de delivery.
Com dois ou mais desses sinais juntos, está na hora de planejar a saída do regime. Insistir em operar o software para restaurante dentro de um teto que já não cabe é convite para autuação: nos últimos anos, a Receita Federal tem desenquadrado centenas de milhares de microempreendedores por excesso de faturamento.
Quando sair do MEI: sinais claros de que chegou a hora
Migrar para Microempresa (ME) parece burocrático, mas é o passo natural de quem está vendendo bem. Os sinais que indicam o momento certo costumam ser bem objetivos:
1. Faturamento se aproximando de R$ 70 mil ao ano
Se em outubro o acumulado já passou dos R$ 65 mil, dificilmente o ano vai fechar dentro do teto. Antecipar a migração evita o estresse do desenquadramento retroativo.
2. Crescimento estruturado
Quando o restaurante já trabalha com fluxo previsível, contratos firmados com fornecedores e marca consolidada no bairro, o MEI vira camisa apertada. Como ME no Simples Nacional, o faturamento anual pode chegar a R$ 360 mil e o número de funcionários deixa de ser limitado.
3. Necessidade de automação real
No início, controlar pedido no caderno até resolve. Mas quando iFood, salão e balcão começam a despachar simultaneamente no pico, sem um sistema de gestão para restaurante o caos toma conta da operação. Crescer exige ferramenta. E ferramenta de verdade pede regime fiscal compatível.
MEI para marmitaria: por que é o melhor formato para começar
Entre todos os modelos de negócio do food service, a marmitaria é provavelmente o que mais combina com o microempreendedor. O MEI para marmitex funciona bem porque a estrutura é enxuta, o investimento inicial é baixo, e a operação cabe na mão do dono.
Vale dizer: nada disso depende de um robô captando pedido sozinho. SisFood opera online (PDV, comanda, fiscal e integração de delivery), e no WhatsApp o dono clica em "novo pedido" e o sistema abre a tela já com nome e telefone do cliente. Sem milagre.
Por que faz sentido começar como marmiteiro MEI
- Cozinha pequena resolve: dá para começar em casa, com adequações da vigilância sanitária.
- Investimento inicial baixo: embalagens, fogão industrial, freezer e pronto.
- CNAE 5620-1/04 cobre tudo: marmita, comida congelada, fitness, delivery.
- Previsibilidade de receita: assinaturas mensais e clientes fixos no almoço.
- Margem boa: sem salão, sem garçom, sem aluguel grande.
Na prática, é viável produzir 30 marmitas por dia a R$ 18 cada, operando apenas de segunda a sexta. A receita gira em torno de R$ 10.800 mensais; e mesmo nesse volume já vale acompanhar o acumulado anual de perto, porque o teto chega rápido.

Impostos do MEI para restaurante: o que está incluído
A maior vantagem do regime continua sendo o valor fixo mensal, o famoso DAS-MEI. Para quem opera restaurante, marmitaria ou lanchonete (atividade de comércio com ICMS), os valores de 2026 ficam assim:
| Atividade | Valor mensal (DAS) | O que está incluído |
|---|---|---|
| Comércio (ICMS) — lanchonete, marmitaria | R$ 82,05 | 5% do salário mínimo de R$ 1.621 + R$ 1 de ICMS (Decreto 12.797/2025) |
| Serviços (ISS) | R$ 86,05 | 5% do salário mínimo de R$ 1.621 + R$ 5 de ISS (Decreto 12.797/2025) |
| Comércio e serviços | R$ 87,05 | 5% do salário mínimo de R$ 1.621 + R$ 1 de ICMS + R$ 5 de ISS (Decreto 12.797/2025) |
Com o DAS em dia, o microempreendedor garante aposentadoria por idade, auxílio-doença, salário-maternidade e pensão por morte para a família. Comparado à Microempresa, cujos impostos no Simples partem de 4% sobre o faturamento, o MEI sai muito mais barato, desde que o volume de fato comporte o regime.
Erros comuns de quem abre restaurante MEI
Na rotina de pequenos restaurantes que entram no SisFood, alguns erros se repetem com frequência. Conhecer essa lista evita queimar etapas mais para frente:
1. Achar que pode faturar ilimitado
O microempreendedor é um regime simplificado, não um cheque em branco. Receita bruta soma tudo que entra (Pix, cartão, dinheiro, iFood, Aiqfome, 99Food), sem desconto de custo, fornecedor ou aluguel. O cálculo não admite filtros.
2. Não acompanhar o faturamento mês a mês
É o erro mais caro do conjunto. Sem controle no mês a mês, em outubro o dono descobre que o teto foi furado lá em julho. Um sistema de gestão de restaurante com acumulado anual em tempo real corta esse susto pela raiz.
3. Vender sem nota e achar que "não conta"
Conta sim. Maquininha de cartão, iFood, Pix recebido como pessoa jurídica: tudo é informado à Receita. A fiscalização cruza dados com e-Financeira, marketplaces e operadoras. Em 2024, mais de meio milhão de microempreendedores foram desenquadrados justamente por essa razão.
4. Crescer sem migrar
Vender bem é ótimo, mas crescer dentro de um regime que já não comporta a operação gera multa, juros Selic e desenquadramento retroativo. Se o restaurante deslanchou, vale organizar a migração antes que a Receita faça isso pelo dono.
5. Confundir CNAE
Abrir como "restaurante" (5611-2/01) quando a operação é, de fato, uma lanchonete pode trazer atrito com vigilância sanitária e até com o iFood, que valida a categoria registrada no CNPJ.
Perguntas frequentes sobre MEI restaurante
Conclusão: MEI é ótimo para começar, mas tem prazo de validade
Voltando à pergunta inicial: MEI pode ter restaurante, sim, desde que a operação seja pequena, controlada e com receita anual dentro do teto de R$ 81 mil. Para marmitaria, lanchonete de bairro ou delivery enxuto, o regime é uma porta de entrada difícil de superar: barato, simples e com benefícios previdenciários reais.
O que muda o jogo é entender que o microempreendedor é um ponto de partida. À medida que o restaurante cresce em pedidos no pico, em equipe e em ticket médio, o regime aperta. Permanecer por inércia costuma terminar em multa, desenquadramento retroativo e dor de cabeça com a Receita.
A regra prática é simples: monitorar o faturamento mês a mês, escolher o CNAE certo desde a abertura e planejar a migração antes que ela seja imposta. Restaurante saudável é restaurante com previsibilidade fiscal, operacional e financeira.
Seu restaurante está crescendo? Organize a operação antes do caos.
O SisFood é a plataforma de gestão para restaurantes que cresce com você: do MEI marmitaria até o restaurante com várias unidades. PDV, comanda eletrônica, monitor de preparo, NFC-e/NF-e, integração com iFood, Aiqfome e 99Food, controle de caixa e relatório de faturamento em tempo real; tudo em um lugar, para você nunca ser pego de surpresa pelo limite anual.
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Fundador do SISFOOD desde 2016 ajudando restaurantes a vender mais e operar melhor.
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Fontes
- Receita Federal — Resolução CGSN 183/2025 e nota anti-fake-news (28/11/2025)
- Decreto 12.797/2025 — salário mínimo 2026 (Planalto)
- Agência Brasil — DAS MEI 2026
- FENACON — DAS MEI 2026
- Lei Complementar 214/2025 — art. 348 (Planalto)
- Portal NF-e — Nota Técnica NF-e 2025.002
Última verificação: 24 de maio de 2026.